
Sábado de julho, lá fora o sereno e o tempo nublado formam o cenário desta tarde de inverno. Eu, aqui dentro do escritório, trabalhando neste sábado frio, distraio-me uns instantes para postar a mensagem inaugural do meu blog.
Vou falar sobre estas três entidades que me encantam: o tempo, a oportunidade do amor e o rumo da vida.
Tem gente que acredita em destino, tem gente que acredita em acaso, tem gente que acredita em fazer acontecer; e eu, como não poderia deixar de ser, acredito nestas três coisas, cada uma com suas devidas peculiaridades e reservas. Nem tudo é obra do destino, nem tudo é obra do acaso, nem tudo se pode fazer acontecer. Acredito que a vida na verdade é um pouco de tudo isso.
É possível que o destino nos reserve uma oportunidade, de outro modo pode ser que por acaso nos deparemos com uma oportunidade e ainda, se a oportunidade não existe, é possível criá-la.
Independente de como uma oportunidade possa surgir, uma coisa é certa, ela possui um tempo para existir e o seu desfrute, ou não, poderão mudar completamente o rumo de nossas vidas.
Dentre tantas oportunidades que a vida nos ofereçe, a mais gostosa, linda e plena, é com certeza a oportunidade do amor. De viver um amor.
Para o nosso penar, a oportunidade do amor, salvo em casos excepcionais, não acontece em cenários simples e de fácil compreensão e adaptação. O amor, revestido da oportunidade de amar, na maioria das vezes, surge em meio a situações difíceis de se controlar e até mesmo de entender e aceitar. E, é justamente aí que, com medo da mudança, com medo de encarar os obstáculos, duvidando de sua existência, perdemos a verdadeira oportunidade do amor que a vida nos está oferecendo.
Na mente de cada pessoa existe um modelo de amor. No amor, este modelo não existe. Quando o amor acontece, ele não chega em hora marcada, ele não tem forma inicial definida. O amor, quando chega de verdade, não obedece aos padrões comuns de ética, moral, beleza, tempo e intensidade. Nada do que pensamos do amor como ideal acontece.
Quantas são as histórias de vida, em que, quase ao fim da última gota de esperança, eis que surgiu o amor da quase falta de fé. Incandescente. Forte, vigoroso. Contrariando tudo o que se pensava, quebrando dogmas, paradigmas. Eis que surge o amor e tudo inova. Revoluciona.
O amor tem sua própria ética, sua própria moral. Beleza, tempo e intensidade próprios.
O verdadeiro amor, entre um homem e uma mulher, pode surgir em circunstâncias moralmente reprováveis para a sociedade. Porém, dentro de sua própria moral, o amor - por ser o que é, absoluto e pleno - encontra sua dignidade.
Um amor não deixa de ser digno se surge em uma situação não aceita pelos padrões da sociedade. Porque, sendo amor, ele por si só, tem natureza digna.
O amor não tem forma certa, ele é o que é. Às vezes surge no fim, às vezes no meio, às vezes no início, como se acha que deve ser. Não importa como, mas quando ele surgir temos que estar atentos para que ele não passe do seu próprio tempo.
A oportunidade do amor tem um tempo... que começa a se expirar tão logo se inicia.
Viver o amor, ao seu tempo, com ou sem adversidades, mas ao seu tempo, dá à vida o sabor e a significação que toda pessoa, ao final de sua passagem pela Terra, espera ter um dia experimentado.
O que não se deve é morrer sem amar, é morrer de amor sem efetivamente experimentá-lo, é passar a vida na vontade...
No mais... que o amor mate de tanto amar àqueles que o identificam a seu tempo, o exploram e o vivem intensamente... depois de tanto viver... morrer não é o fim... passa a ser um mero detalhe... a que todos estão predestinados.
No meu PONTO DE VISTA, acredito que a oportunidade do amor deve ser vivida em seu tempo real, com intensidade e liberdade, para que esta experiência proporcione a nossas vidas o rumo da verdadeira felicidade.
Mas tudo isso só vale, se for realmente amor. E podem me questionar, e até eu me questiono: COMO SABEREI SE É REALMENTE AMOR???
Só encontrei uma resposta, se alguém souber de outra me diga, por favor.
O amor, embora incondicional, nunca poderá ser unilateral. O amor é bilateral. A oportunidade do amor não acontece só para um amante... acontece para os dois, ao mesmo tempo.
E quanto a isso não há dúvidas... as circunstâncias falam por si só... só os amantes sabem como a mente, o coração e o corpo reagem quando a vida os coloca um diante do outro.
Não é só o meu olhar que brilha quando vejo a pessoa que amo. O seu olhar também brilha quando ele me vê.
É mágico assim mesmo. É mútuo. Interage. Não deixa dúvidas. As dúvidas surgem não do que se sente, mas da ocasião em que o verdadeiro amor chega, as vezes não estamos "preparados", as vezes estávamos seguindo um rumo extremamente diferente... aí surge o amor e com ele aparecem as dúvidas advindas do medo dos riscos e da mudança.
Mas o amor muda tudo mesmo. Ele tem que mudar. É por isso que ele surge, para dar um rumo melhor a nossas vida, para trazer luz e alegria aos nossos dias.
Há algum tempo deixei de buscar, porque sei que, pelo seu poder, o amor nos encontra, então comecei a me preparar, porque quando o amor chegar não posso estar de mãos vazias, assim, ele saberá que eu estava a sua espera, e se sentirá bem-vindo.
Paula Caldovino